Uma operação policial na favela do Jacarezinho,
na zona norte do Rio, deixou pelo menos 15 pessoas mortas na manhã desta
quinta-feira, 6. A incursão da Polícia Civil ocorreu para apurar o suposto
aliciamento de menores e o sequestro de trens da SuperVia pela maior facção do
tráfico no Estado, o Comando Vermelho.
Os mortos são um policial baleado na cabeça e 14
suspeitos de integrar o tráfico, segundo a corporação. O agente André Frias,
que integrava a Delegacia de Combate às Drogas, foi baleado na cabeça. Chegou a
ser levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu.
Batizada de Operação Exceptis, a empreitada
começou logo cedo, pouco depois das 6h, quando moradores já relatavam a
presença de helicópteros sobrevoando a região e de intensa troca de tiros. Além
dos mortos, houve feridos - inclusive dentro da estação de metrô de Triagem, da
linha 2.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram a
janela de uma das composições do modal, que naquele trecho circula na
superfície, com uma marca de tiro. O Metrô Rio informou que uma pessoa foi
ferida por estilhaços de vidro; a outra, de raspão no braço.
Por causa do tiroteio, trens da SuperVia que
passam pela região tiveram a circulação momentaneamente suspensa. O metrô
também chegou a interromper o tráfego entre duas estações, mas o serviço já foi
normalizado.
Segundo a Polícia Civil, traficantes estão
aliciando crianças e adolescentes para integrar a facção. Os criminosos, diz a
corporação, exploram tráfico de drogas, roubo de cargas e de pessoas, além de
homicídios e sequestros de trens da SuperVia, prática que ocorreu em dois
momentos recentes, em dezembro de 2020 e no mês passado.
A ação é coordenada pela Delegacia de Proteção à
Criança e ao Adolescente (DPCA), com apoio de outras unidades do Departamento
Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento Geral de Polícia da
Capital (DGPC) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).
Eficiência
Segundo um estudo divulgado no mês passado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF), as operações policiais no Rio de 2007 a 2020 têm apenas 1,7% de eficiência. O índice foi criado considerando, por exemplo, o que embasou a operação - se houve autorização judicial -, o número de apreensões e a quantidade de mortos. Boa operação seria aquela embasada pela Justiça, com muitas apreensões e poucas mortes.
Fonte: Notícias ao Minuto

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