A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)
aprovou de forma unânime, por 69 votos a favor e nenhum contra, o relatório que
pede o impeachment do governador afastado Wilson Witzel. A sessão, realizada
nesta quarta-feira (23), reuniu 69 deputados, presencialmente ou de forma
remota. Um deputado está afastado por problema de saúde.
O projeto precisava de um mínimo de 47 votos para
ser aprovado. A resolução será publicada em Diário Oficial nesta quinta-feira
(24) e o Tribunal de Justiça (TJ) será comunicado para dar início à formação do
Tribunal Misto. O tribunal é formado por cinco deputados eleitos pela Alerj e
cinco desembargadores eleitos por sorteio pelo TJ. A partir da formação do
tribunal, o governador é afastado por até 180 dias enquanto os seus membros
analisam a questão.
Witzel, que desistiu de comparecer
presencialmente à Alerj, falou por videoconferência ao final dos discursos de
28 deputados, todos com críticas a ele. O governador afastado falou por cerca
de 60 minutos. Ele se defendeu, dizendo que foi um julgamento injusto: “Estou
sendo linchado moral e politicamente, sem direito de defesa. A tirania escolhe
suas vítimas. Felizmente a história mostra que mártires nunca morrem”. Citou o
Sermão da Montanha, “bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça, porque
eles serão fartos”.
Witzel também falou sobre a democracia,
criticando a forma como ele foi afastado pela Justiça: “Estamos matando a nossa
democracia. O bem maior é o voto. O respeito e a força do voto estão sendo
solapados. Eu fui afastado sem o direito de falar, sem inquérito prévio. Estou
sendo afastado por 180 dias, em pleno exercício do mandato, outorgado pela
população. Não pude exercer o meu amplo direito de defesa”.
Witzel adotou um tom forte, por vezes com ataques
ao Legislativo: “Eu jamais fui omisso em ouvir e procurar corrigir. Quantos
deputados foram investigar as OSs [organizações sociais]? Se tinha pagamento
irregular, os senhores e as senhoras também foram omissos. Muitos aqui jamais
me procuraram. Só falam da tribuna, só reclamam, mas não trazem solução
nenhuma. Só fazem projetos autorizativos, atos politiqueiros”.
O governador afastado encerrou dizendo que não se
importava de ser julgado, porque tinha a convicção que jamais havia praticado
ato ilícito: “Não encontraram um centavo na minha conta. Eu não tenho milhões.
Só tenho a minha casa no Grajaú. Eu já estou julgado, previamente condenado.
Estou sendo amputado do meu cargo. Estou sendo linchado politicamente, de uma
forma muito triste. Eu não vim aqui para roubar, vim aqui para mudar a
política. E a política não vai me mudar”.
O início do processo de impeachment de Witzel foi
aprovado em 10 de junho, por 69 deputados, de um total de 70 parlamentares . Ele é suspeito de envolvimento em compras
fraudulentas e superfaturadas de equipamentos e insumos para o combate à
pandemia de covid-19.
Witzel foi alvo, no dia 26 de maio, da Operação
Placebo, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que investiga
corrupção na compra de equipamentos e insumos para o combate à pandemia no
estado. Além dele, também foram alvos a primeira dama, Helena Witzel, a empresa
Iabas, que presta serviços de saúde, e outras pessoas. Os policiais federais
chegaram a realizar buscas no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador,
e na casa da família Witzel, no bairro do Grajaú.
Dias antes, o seu então secretário de Saúde,
Edmar Santos, já havia sido afastado do governo, por acusações de desvios na
pasta, em favor de grupos empresariais, com o recebimento de propinas .
Witzel foi afastado do poder, por 180 dias, no dia 28 de agosto, no âmbito da Operação Tris in Idem, um desdobramento da Operação Placebo, que investiga atos de corrupção em contratos públicos do governo do Rio de Janeiro. A ação foi autorizada pelo ministro do STJ Benedito Gonçalves.
Fonte: Notícias ao Minuto

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