O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de
Justiça (STJ), converteu em preventiva a prisão temporária da desembargadora
Lígia Cunha, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Ela é investigada no
âmbito da Operação Faroeste, que apura um esquema de venda de decisões por
magistrados do estado.
A medida passa a valer a partir de hoje (20/12).
O ministro do STJ atendeu a um pedido da subprocuradora-geral da República
Lindôra Araújo, responsável pelo caso, que argumentou que a magistrada atuava
para impedir as investigações.
Lígia Cunha e outra desembargadora do TJBA, Ilona
Reis, foram presas temporariamente na última segunda-feira (14/12), quando
foram cumpridos também 36 mandados de busca e apreensão na 5ª e 6ª fases da
Operação Faroeste. A prisão temporária de Lígia havia sido convertida em
domiciliar no último dia 16, pelo ministro, devido à magistrada se encontrar em
fase de recuperação, após realização de cirurgia.
Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) disse
que “a hipótese criminal apurada é a de que as desembargadoras criaram
organizações criminosas especializadas em vendas de decisões e lavagem de
ativos, com atuação nos conflitos de terras do Oeste baiano e outras regiões”.
Segundo as investigações, Lígia Cunha teria
recebido R$ 950 mil para proferir decisões em quatro processos e para praticar
tráfico de influência em relação a outro. Ela teria intimidado uma servidora do
TJBA para que apagasse informações de um computador, entre outros atos para
tentar acobertar os crimes, disse o MPF. Os filhos dela, que são advogados,
também estariam envolvidos no esquema. Ilona Reis, por sua vez, teria atuado em
três processos e recebido R$ 300 mil.
Na decisão que autorizou a prisão temporária das
desembargadoras, o ministro Og Fernandes escreveu haver indícios da existência
de “uma engrenagem judicial criminosa no seio do Tribunal de Justiça baiano,
que possui a venda de decisões como mercadoria para o enriquecimento ilícito em
escala geométrica”.
Diversos outros magistrados do TJBA já foram afastados ou presos em fases anteriores da Operação Faroeste. Segundo o MPF, a suspeita é que diferentes organizações criminosas tenham permitido a grilagem de mais de 360 mil hectares de terras, movimentando bilhões de reais. Até o momento, as investigações resultaram na abertura de três ações penais no STJ, onde os magistrados envolvidos têm foro privilegiado.
Fonte: Aratu On

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