O céu ganhou um elemento estranho, no início da
noite desta segunda-feira (23), em cidades baianas. É que um clarão, semelhante
a um meteoro, foi avistado por moradores de municípios como Macajuba, Ipirá,
Olindina, Piraí do Norte, Itapatinga e em Salvador. “Era por volta das 18h30,
eu tava em um posto de gasolina e apareceu um clarão diferente. No início a
gente pensou que fosse um helicóptero, só que foi ficando mais forte”, contou
Danilo Oliveira, 25 anos, morador de Macajuba, centro-norte do estado.
Segundo Danilo, o clarão tinha um formato de
peteca com a luz mais forte na parte que representava uma calda. “O pessoal
aqui ficou surpreso”, acrescentou. Surpresos também ficaram os jovens que
disputavam um baba em Ipirá, no norte do estado. “Eu ouvi falar que alguns
jovens que estavam na quadra poliesportiva ficaram assustados e foram para
casa, pois não sabiam do que se tratava”, revelou Iago Souza, 22 anos, que
reside na cidade. Tiago Oliveira, 22 anos, que mora no mesmo município, contou
que todo mundo começou a olhar para o céu e especular a origem do fenômeno.
“Alguns acharam que era um balão, outros meteoro. Teve gente que achou que era
uma estrela caindo”, disse.
Na capital, o fotógrafo Almiro Lopes, morador de
Plataforma, tentou registrar a luz em fotografias. “Estava bem longe, dava pra
ver a luz. Eu fiquei besta, porque você só via luz. Eu mostrei aos caras, ai
eles falaram: é drone. Que drone? Drone pisca. Aí depois foi ficando esverdeado
e sumiu”, narrou.
Nem drone, nem meteoro, nem estrela. De acordo
com Nicolas Oliveira, astrofísico e doutorando do Observatório Nacional, o
clarão, muito provavelmente, é o efeito dos módulos de propulsão de um foguete
lançado, nesta segunda, pela China. “Eles lançaram, há pouco mais de duas horas
um foguete levando a bordo os módulos da missão lunar Chang-e 5. A missão tem
como objetivo coletar amostras da superfície da Lua para análise”, explicou. E
acrescentou: “o que foi visto, muito provavelmente, é o efeito dos módulos de
propulsão do foguete. Para sair da atmosfera da Terra, a rota de sua trajetória
estava prevista para passar acima da América do Sul”.
Mas, apesar do susto, o fenômeno não oferece
risco. Segundo Nicolas, a possibilidade destes módulos causarem um acidente é
remota. “Existe uma probabilidade, porém tão pequena que chega a ser
desprezível. Os estágios de foguetes modernos comumente se desintegram na
atmosfera ao se desacoplarem, outros possuem trajetória de queda calculada para
os oceanos. Foguetes da SpaceX possuem estágios que pousam após o lançamento e
podem ser reutilizados em outros lançamentos”, revelou.
Foguete
chinês
A China lançou uma sonda à Lua para coletar
rochas no satélite natural da Terra. Essa é a primeira operação deste tipo em
mais de 40 anos, informou a agência estatal Xinhua.
O foguete, batizado de Longa Marcha 5,
impulsionou a espaçonave às 4h30 desta segunda, no horário local (17h30 de
Brasília). O lançamento aconteceu no centro espacial Wenchang, na ilha tropical
de Hainan. A missão Chang'e 5 ganhou esse nome em homenagem a uma deusa da lua
na mitologia chinesa.
Essa é a segunda etapa do programa espacial da
China que, no início de 2019, conseguiu pousar uma espaçonave no outro lado da
lua, uma novidade mundial. A sonda desta missão foi projetada para coletar
poeira e rochas lunares, escavando o solo a uma profundidade de dois metros e,
em seguida, enviando-as de volta à Terra.
A chegada da sonda à Lua deve acontecer no final de novembro. Já a entrega das amostras à Terra está programada para ocorrer em meados de dezembro.
Fonte: Correio24horas



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