O pai de
uma das pessoas feitas reféns durante o sequestro de um ônibus que parou na
Ponte Rio-Niterói por mais de três horas foi até a Delegacia de Homicídios de
Niterói nesta terça-feira (20) e consolou a mãe do criminoso. Paulo César Leal,
54 anos, encontrou a mulher, que prefere não ser identificada, já no portão.
Ela passou cerca de uma hora sendo ouvida e, segundo a polícia, passou mal.
"Como ser humano, fui ajudar, porque naquele
momento a dor é dos dois lados. Eu não tenho poder de julgar nem falar qualquer
coisa que seja boa. Só falei para ela ter calma e confiar. O que eu vou dizer
para ela, de conforto? Não tem o que dizer", disse
ao Uol.
Diariamente,
Paulo César leva a filha, a historiadora Raiane Leal, 24, até o ponto de
ônibus. Ele deixou a filha no local por volta das 4h40, quando ela entrou no
ônibus Alcantara x Estácio. Ainda de manhã, recebeu a notícia do sequestro de
um ônibus, inicialmente pensando que não poderia ser o da filha, pelo horário.
Mas ao tentar e não conseguir falar com Raiane, ele ficou preocupado. Ao
assistir o caso na TV, acabou notando que se tratava, de fato, do ônibus em que
Raiane estava. "Senti uma aflição, uma coisa muito difícil. Tentei
procurar me manter calmo, porque tenho minha outra filha e minha esposa. Eu
tenho os problemas de coração, ela também. Tentei manter a calma, mas foi
difícil", conta. Ele viu quando ela foi liberada. "Reconheci ela na
hora em que saiu. No primeiro momento, a gente não quer acreditar. Mas a imagem
passou mais uma vez e confirmei. Ainda não respirei, mas estou tentando". Ele
explicou sua motivação: "Como ser humano, fui ajudar, porque naquele
momento a dor é dos dois lados. Eu não tenho poder de julgar nem falar qualquer
coisa que seja boa. Só falei para ela ter calma e confiar. O que eu vou dizer
para ela, de conforto? Não tem o que dizer", contou Paulo. Ele diz que vai
orar pela família de Willian Augusto da Silva, 24. "Infelizmente aconteceu
isso com ele. Deus não quer isso para ninguém, mas naquele momento não tem o
que fazer. A gente ora pelos familiares, pela mãe dele. Mas ainda bem que minha
filha está bem", Willian foi baleado quatro vezes. Ele chegou a ser
socorrido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiu aos
ferimentos.
Fonte: Correio24horas

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