Um fóssil
encontrado na África lança uma nova luz sobre os nossos ancestrais. Arqueólogos
descobriram na Etiópia um crânio de um hominídeo que viveu há 3,8 milhões de
anos - um espécime muito raro que pode mudar completamente o que sabemos sobre
um dos mais famosos ancestrais da humanidade, Lucy, e sobre a nossa própria
espécie. O crânio pertence à espécie Australopithecus anamensis e ofereceu aos
cientistas a primeira chance de dar uma boa olhada na face desse hominídeo.
Acreditava-se que a espécie tinha precedido a de Lucy, Australopithecus
afarensis, que, por sua vez, seria o nosso ancestral direto. A nova descoberta
sugere, no entanto, que as duas espécies teriam compartilhado as savanas da
Etiópia durante pelo menos cem mil anos. Isso indica, segundo os especialistas,
que a árvore evolucionária dos primeiros hominídeos é bem mais complicada do
que se imaginava e pode nos fazer repensar a tese de que viemos de uma espécie
em particular, representada por Lucy.
"Crânios fossilizados de hominídeos
são tesouros excepcionalmente raros", explicou a paleoantropóloga Carol
Ward, da Universidade do Missouri, em entrevista à revista Nature, que publicou
o novo estudo. "Esse é o novo espécime pelo qual todos nós estávamos
esperando." A afarensis viveu na África entre 4 milhões e 3 milhões de
anos atrás. Essa espécie é importante para entendermos a evolução humana
porque, provavelmente, teria sido a partir desses hominídeos que o gênero
humano, o Homo, evoluiu, há 2,8 milhões de anos. Ao longo das últimas décadas,
pesquisadores descobriram dezenas de fragmentos de fósseis de A. anamensis na
Etiópia e no Quênia, alguns deles com mais de 4 milhões de anos. Os cientistas
achavam que o A. anamensis gradualmente evoluiu para o A. afarensis, sem nunca
terem coexistido. O crânio descoberto recentemente por um grupo de
paleoantropólogos liderados por Yohannes Haile-Selassie, do Museu Cleveland de
História Natual, em Ohio, nos Estados Unidos, sugere exatamente o contrário. A
descoberta de Lucy (que recebeu este nome por causa da música dos Beatles
"Lucy In The Sky With Diamonds"), em 1974, também na Etiópia, gerou
grande comoção mundial. O fóssil, de 3,2 milhões de anos, foi o primeiro
descoberto de um hominídeo que era capaz de andar de pé. Em entrevista à
Nature, o professor Fred Spoor, do Museu de História Natural de Londres, no
Reino Unido, disse que o novo crânio tem tudo para "se tornar outro ícone
célebre da evolução humana".
Fonte: Notícias ao Minuto

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